Hoje, no ônibus, há uns 15 minutos atrás, vinha pensando na vida... e sim, filosofei - MAIS UMA VEZ, como em toda santa vez em que resolvo escrever nesse blog. Se torna até desnecessária a introdução, uma vez que só escrevo aqui quando paro de olhar pra fora e passo a olhar pra dentro de mim, quando descubro coisas e me espanto, ou não. Estava me sentindo um 'estorvo', a pedra no sapato e no meio do caminho de muita gente. Não sou bonita, não sou magérrima, não sei falar 450 línguas perfeitamente, não costuro, não lavo, não passo, mal sei fritar um ovo, sou vegetariana, não sou a filha perfeita, nunca ganhei uma promoção, nem a rifa mais fuleira que seja. Nunca fui aluna favorita de nenhum professor, as pessoas não fixam direito meu nome - e, as que fixam, não possuem lá boas lembranças de mim. Não tive muitos namorados. Na verdade, não tive nenhum. Não me relaciono com ninguém, não da forma que gostaria. Não gasto nada em 12 de junho, mas também não ganho nem um "vá à merda". Tenho poucos amigos e, ainda assim, consigo me manter distante de todos, consigo virar fantasma, ser invisível. Sou quase um desastre natural.
Sei que muita gente gostaria de ser como eu sou, só mais uma na multidão, mas não é o que eu busco pra mim. Se eu me contentasse com uma vidinha medíocre, numa das coxias do grande palco da vida, já teria recusado esse papel há horas, há dias, há semanas, há meses, há anos. Teria fechado as portas do meu camarim.
Posso não ter os 'atributos' que facilitariam minha caminhada por essa longa e sinuosa estrada, mas, sinceramente? Foda-se. Eu posso não ser perfeita, posso ter todos os defeitos do mundo - e eu tenho toda a CORAGEM de assumir: sim, eu tenho. Sou perfeccionista, irritante e imensamente insistente. Tão insistente que eu vou encher o saco, vou gritar, vou berrar, vou incomodar até chegar aonde eu quero. É assim que eu consigo as coisas, saindo do meu lugar-comum e enfrentando meus medos, deixando de ser acomodada e desacomodando quantos eu precisar.
Já tentei fazer a 'Sandy' e ser boazinha, tentar me importar mais com os outros: passaram tantas e tantas vezes por cima de mim. Já tentei fazer a blasé, não fez diferença alguma: a não ser que precisem de mim, todo mundo caga e anda pro que eu tenho a dizer, pro que eu POSSO fazer. Então dane-se, vou ser eu mesma, seguir meu molde de canção de metal em outro idioma: à primeira vista, incompreensível, visceral, cheia de raiva, intensa, tão barulhenta que incomoda, irrita. Mas, por baixo de todo esse ruído, se permitir-se separar canal por canal, cada instrumento, organizar essa imensa desordem, pode-se perceber belíssimos solos de guitarra e uma letra que tem muito a dizer, talvez fale de amor, do que procuram ouvir - de um ângulo diferente de todas as outras, mas pode ser que até mesmo cative, traduza algum sentimento, colabore, acalme, anime, sinta e faça sentir. Nem toda tragédia é feita de lágrimas, nem todo desastre só causa dor. Alguns podem ajudar a impulsionar pessoas, motivar, fazer com que saiam de seu mundinho pra desabrochar, pensar no próximo e pensar em si, se conhecer. E eu sou um desses desastres: bagunçada, meio totalmente louca, desajustada com todo o resto do mundo, mas tenho meu 'blueside', meus pontos bons que estão abertos à visitação. Basta querer.
K.

