Estava no twitter, agora há pouco, conversando com um colega (o Ariel, do Pra sair da rotina, super indico, btw) sobre bloqueio criativo e de onde vem a inspiração para os posts, sobre a sensação de ter o texto todo pronto na cabeça, só esperando para ser passado a limpo, pra ser publicado (ou jogado dentro de uma gaveta, como ocorre comigo, na maioria das vezes).
Como já devem ter percebido por alguns inícios de postagens nesse humilde bloguito - ou até por comentários meus com amigos -, eu tenho uma certa fixação por ônibus. Dentro de um ônibus, me permito refletir e ver pela janela um mundo ao qual geralmente não dou muita atenção. Me perco em rostos, expressões, tento entender a rotina e os sentimentos, os problemas das pessoas que estão na rua - e até das várias que sentam ao meu lado até o destino final. Das mães que buscam seus filhos na escola, das senhoras que sobem e vão só de uma esquina a outra, só pelo puro prazer de não pagar, dos trabalhadores que estão voltando pra casa cansados, que talvez tenham mulher e filhos à espera, talvez não. Fico devaneando, fazendo fotografias mentais: portraits ou paisagens.
Essa semana quase perdi o ponto em que eu planejava descer, só nessas minhas viagens mentais onde eu sou a única passageira. Fiquei encantada com o céu ao pôr-do-sol, nunca tinha visto aquelas cores tão vivas, tão intensas, aquele jogo de cores: uma mancha laranja, prestes a se tornar rosa contra a tela azul do céu.
Esse tipo de coisa é simples demais e normalmente não me chamaria a atenção se eu estivesse no conforto do meu carro ou caminhando pela rua. Mas dentro do ônibus eu me forço a notar tudo e todos, a prestar atenção em cada nuance do caminho, em cada cor, som, cheiro, voz.. geralmente me divirto até fazendo careta para as crianças, conversando com as idosas que sempre puxam papo, analisando um grupo de estudantes fazendo bagunça e ouvindo música alta dentro do veículo. Cada pessoa, cada detalhe desses percursos de 15 ou 20 minutos tornam-se coadjuvantes - ou até protagonistas - das minhas histórias, das minhas reflexões.
Talvez eu precise andar de ônibus pra que as minhas engrenagens funcionem, para perceber o mundo e me sentir percebida. Ou talvez eu só precise viver mais e parar de apenas observar a vida passar.

1 comentários:
Nossa muito lindo e profundo isso. Fiquei com vontade de andar de ônibus contigo uma hora ^^ eu tenho isso também, mas geralmente com pessoas na rua... Coisa de comunicador!HAUISHIUA
agora cheiros...deve ser tenso oO
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