10.10.10

Voulez-vous coucher avec trois?


"João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém." (Quadrilha - Carlos Drummond de Andrade)
"Tentei ser como eles/Todos tão iguais/Mas todo mundo ama alguém a mais/Ou nunca amou"
(Eu sei) Você Esqueceu - Esteban


Em uma viagem de ônibus, pensando em alguns acontecimentos recentes, comecei a filosofar a respeito desses dois textos: será MESMO que só se pode amar uma pessoa? Ou todo mundo realmente ama alguém a mais? Será que o João amava somente a Teresa? E se ele cansou de esperar e resolveu namorar a Joana - mesmo pensando todos os dias na Teresa? É uma grande questão a ser analisada.
Todos os dias presenciamos situações que colocam em dúvida a monogamia da sociedade: vemos casais lindinhos, unidos, cheios de amor pra dar (um ao outro) e escorrendo açúcar pelas ruas. Mas, apesar disso, o cara diz a ela que tem trabalho até mais tarde/a avó está doente/o cachorro morreu e, enquanto a mocinha se preocupa com o namorado/marido/whatever, ele está lá, se esbaldando em uma micareta ou parado em uma rua deserta, agarrando uma (des)conhecida. Ela também recebe propostas, sente culpa por trair o mocinho, mas a vontade fala mais alto. Ela ama um, mas também se sente balançada pelo outro. E a sucessão de ex's? Não adianta: por mais que o término seja definitivo e a mágoa seja infinita, sempre sentimo-nos nostálgicos quando ocorre o momento 'Thriller' e os cadáveres voltam à vida.
O que leva uma pessoa a se comprometer para trair, enganar e iludir o parceiro? Que tipo de amor destrutivo é esse? Não tenho uma VASTA experiência em matéria de amor, mas penso que quando se ama, é mister cuidar da pessoa amada e isso envolve fechar feridas antigas e fazer de tudo para não abrir novas. Entretanto, será que amar é possuir escritura de propriedade? Amar é querer bem. E se uma pessoa só é completa com duas que reúnam em suas características o conjunto perfeito? Que confusão.
Será que fidelidade se distingue de lealdade? A traição é inevitável? Afinal, POR QUE trair?
Quando há a vontade de sair com outras pessoas, penso que é um sinal evidente de que há algo de errado no relacionamento - um bom motivo para dialogar e tentar resolver as diferenças, talvez até mesmo terminar para recomeçar após um tempo.
Traições são frequentes desde o início dos tempos: o ser humano sempre está insatisfeito, não só com seus relacionamentos, mas com a conta bancária, o cabelo, o peso, o carro, os quadros nas paredes, o telefone que não para de tocar (ou nunca toca). Que difícil é ser humano!
Em alguns países, já é permitida a poligamia e um homem (mulheres deveriam poder também, não?) pode ter quantas esposas conseguir sustentar (imagine só a conta do MASTERCARD do sujeito...tenho dó!) e o sistema (parece) funcionar. Será esse o caminho a ser seguido pela civilização? Eis a questão.