Apesar de ser cidadã pelotense, com orgulho da cultura da minha cidade: a música, a literatura, e até mesmo o teatro
(que avança a passos de tartaruga) e a gastronomia - marcada pelos famosos DOCES DE PELOTAS, não posso me fingir de morta e deixar de comentar o espetáculo cênico que é a FENADOCE (Feira Nacional do Doce), uma feira aguardada por toda a cidade, onde são gastos milhões e milhões (e embolsados outros tantos em dobro, triplo, quádruplo) para agradar apenas aos turistas.
Durante uns bons anos, a Fenadoce era mais do que uma feira onde eram expostos os produtos principais (os doces) e as principais lojas da cidade, mas também uma oportunidade quase única de trazer bons shows nacionais, que agradavam a todos os gostos, à cidade por um preço acessível. Foram vários os artistas que participaram das edições do projeto Fenashow, em parceria com a Rádio Atlântida, filiada à RBS TV: Comunidade Nin-Jitsu, Armandinho, Reação em Cadeia, Fresno, Calypso... e por aí se vai o rol. Mas, como se pode perceber, grande parte da lista é formada por ARTISTAS DO NOSSO ESTADO, o Sul.
Entretanto, desde 2009, o Fenashow foi substituído por outro projeto: MUSICALDA. As razões são desconhecidas até hoje, mas os boatos falam de um possível rompimento da Atlântida e a organização da feira, que contribuía com pouco no empreendimento e visava uma porcentagem maior de lucros sobre o preço dos ingressos, o que parece não ter dado certo.
O projeto Musicalda possui o objetivo de dar espaço aos artistas locais, que se apresentam em uma espécie de concurso, que paga apenas aos primeiros colocados e não disponibiliza nem uma mísera ajuda em termos de equipamentos. Resumo: Mais artistas no palco, custando muito menos.
Porém, sem o Fenashow, os lucros diminuem em várias áreas da Feira, acarretando um aumento de preço no ingresso normal da feira (que, antigamente, dava direito a um doce...a partir deste ano: não mais), nas tabelas de preço dos ingressos do parque (que está cada vez menor), poucos stands de lojas pelotenses (devido ao alto preço do aluguel de stands imposto aos expositores) e um grande prejuízo às doceiras, que terão prejuízo com a retirada do vale-doce e costumavam lucrar com a vinda dos artistas mais conhecidos (que geralmente saíam com os braços lotados de caixas com doces) e seus fãs adolescentes, movidos a açúcar.
Apesar do evidente fracasso desta tentativa de lucro, a organização da Fenadoce vem rebatendo ferozmente às críticas e reclamações feitas pelas mesmas pessoas que, assim como eu, costumavam pagar ingresso e marcar presença em cada edição, mas estão extremamente decepcionados com tais atitudes, que foram ignoradas no ano passado, ao enviar e-mails para o contato, sem receber resposta - e que hoje não possuem nem canal de comunicação com estes, que desativaram o serviço de mensagens do site e, ao que parece, esqueceram como se atende um telefone.
O fim da Fenadoce está notavelmente mais próximo a cada ano, o que é lamentável para o turismo, mas bem feito aos gananciosos senhores organizadores. Da próxima vez, tentem ouvir aos que enchem seus digníssimos bolsos. ;)
K.