18.5.10

E voltando a bater nessa tecla...

ENCERRANDO o assunto da Fenadoce, prometo. Já me deu muita incomodação, ouvi coisas que não queria, algumas que dou razão e outras que me fizeram pensar bastante - motivo que me fez retomar o assunto nesse post.
Com o post anterior, recebi um ÓTIMO comentário do Egídio , que já conhecia virtualmente de vista (ainda que essa frase esteja bizarra, foi o que deu pra arranjar), por ser amigo de conhecidos meus (piorou, mas enfim, segue o baile!):

Egídio Pizarro disse...

Que beleza de análise.

Só discordo quanto à possibilidade de fim da Fenadoce. Acho que os organizadores estão cavando um buraco que se assemelha com o túmulo do evento, o que certamente vai obrigá-los a repensar o evento como um todo.

Eu, sinceramente, espero que isso não demore. Nos moldes que a Fenadoce está, ela não me atrai nem um pouco. Acredito que muitas pessoas também não se sintam atraídas pela "festança".

14 de maio de 2010 21:41

Depois de ler o comentário do Egídio (aliás, thx!), eu fiquei pensando sobre o assunto, e até mesmo comentei com a minha mãe sobre isso, e, ela me mostrou um ponto que eu não tinha visto até então, e que se encaixa de certa forma com o comentário acima: O Centro de Eventos, comprado pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Pelotas (CDL), ainda não está pago. Logo, a prioridade da Fenadoce é, acima de tudo, lucrar para finalmente quitar o prédio. E, apesar de ser difícil conseguir esse valor em apenas uma edição da feira, isso não vai afundar o evento, já que o pelotense é pobre.

Não digo pobre apenas no sentido financeiro, mas pobre em todos os sentidos possíveis, em ocasiões isoladas ou não: pobre em espírito, pobre em cultura, pobre em coragem, pobre em cidadania, pobre. Todos nós temos sua pobreza, mas uso a palavra para designar os cidadãos de Pelotas porque me veio uma frase-de-efeito na cabeça: "Os pelotenses são a família pobre e a Fenadoce é o coquetel oferecido por um parente rico".

Se a frase inicialmente parecer confusa a alguns, explico: Quando há uma festa mais requintada, onde um pobre - ou até mesmo alguém cuja realidade não é partilhada pelos anfitriões - é convidado, não importam as condições, nem compromissos já marcados - o pobre será presença mais-que-confirmada, já que não é uma situação cotidiana. Vai para desfrutar da gastronomia que não lhe é habitual, vai para depois ter assunto nas reuniões de família, para não ficar por fora. Mas vai. Não importa se não tem roupa adequada: aluga; se não tem condução: freta uma van, pega um ônibus, o que for.

E é exatamente assim que eu vejo Pelotas: uma cidade pobre em eventos desse porte, onde seus cidadãos se sentem praticamente obrigados a comparecer em uma feira que só falta colocar um stand de doação de órgãos nas cancelas de entrada. A diversão do jovem, privado de tantas outras coisas na cidade, é gastar 50 reais em um parque de diversões na Fenadoce, porque ele SABE que tão cedo não virá outro, e se vier, será um parque com brinquedos mais baratos, verdade, mas enferrujados e que oferecem perigo aos que se aventuram em "usufruir" dele. A diversão do casal de namorados é passar um dia na feira, OLHANDO os stands, talvez aproveitando a vista do alto da roda-gigante. Das tias velhas, olhar o artesanato e os couros e peles da Serra. Do pessoal mais maduro, juntar os amigos pra jantar na praça de alimentação, assistindo um show qualquer.

Ou seja, me vejo de mãos atadas quanto a isso. Só mais uma em um universo de indignados. Porém, diferente destes, já decidi que não comparecerei até que tenham respeito pelo público, que pensem com a cabeça, e não com o bolso. Trazer shows e novidades para a população custa caro, é verdade. Mas também é ALTAMENTE rentável, como tentei demonstrar no último post. É uma pena.

1 comentários:

Camila Peres disse...

Pois é. A fenadoce de seis, oito anos atrás era interativa. Tinha shows, tinha coisas que chamavam a atenção do público. Agora qual é a graça de ir lá? Caminhar por entre aqueles corredores lotados de pessoas, sendo que os stands são lojas de roupas ou coisas que você jamais compraria em uma feira. Infelizmente creio que ainda leve um tempo para perceberem o erro, afinal todos continuam indo até lá e lotando o local, parecendo sempre estarem satisfeitos com tudo.

Até a feira do livro está mais bacana com as apresentações :O

Beijokas
;*